Um dos maiores erros no casamento – e que vejo com frequência entre casais “terapeutizados” ou aqueles que de fato estão tentando fazer diferente – é a necessidade de discutir tudo o que incomoda. Não estou dizendo que o casal não deva conversar sobre temas variados para enriquecer a relação. Pelo contrário, o diálogo é fundamental para o crescimento do relacionamento. No entanto, o problema está em querer discutir tudo, o tempo todo, e transformar isso em uma constante, algo que vai minando a relação e tornando-a desgastante.
Ao insistir em apontar todos os problemas, você deixa de ser a esposa e se torna uma figura mais severa, quase como uma mãe reclamona. Esse comportamento, por sua vez, alimenta uma postura parental no marido, especialmente se ele tiver uma personalidade mais “princesa” (no pior sentido da palavra). Nesse cenário, o casamento acaba se tornando uma batalha constante.
Eu mesma aprendi, com o tempo, a “concordar em discordar”. Meu marido e eu temos opiniões muito fortes e diferentes sobre certos temas, e simplesmente aceitei que, em algumas questões, não há necessidade de convergirmos. Ao invés de insistir em mudar a visão dele, escolhi seguir o baile e não entrar na pilha. Simples assim.
Isso me faz lembrar de um velho ditado: “ser feliz ou ter razão?” Em uma relação adulta e madura, a necessidade de estar sempre certa pode prejudicar mais do que ajudar. Não é necessário ganhar todas as discussões. O mais importante é saber como lidar com as próprias frustrações, ansiedade e a necessidade de controlar tudo ao nosso redor. Aprender a dar espaço para que o outro seja quem ele é, com suas diferenças, é um dos maiores desafios no casamento.
Há algo que sempre compartilho com minhas pacientes: não é preciso externalizar todos os sentimentos. Falar sobre tudo o que nos incomoda o tempo todo pode se tornar cansativo e até infantil. O diálogo é importante, sim, mas há uma linha tênue entre a comunicação saudável e o que eu chamo de “muro de lamentações”. Seu marido não é seu terapeuta, contador, advogado ou médico. Ele não deve ser a pessoa para a qual você despeja todas as frustrações, ainda mais se isso for feito de forma constante.
Um exercício que proponho às minhas pacientes é muito simples, mas altamente eficaz:
Seu marido fez algo que te incomodou. Qual é a sua reação?
- 0 – Não incomodou, passei por cima.
- 5 – Incomodou, mas amanhã já vou ter esquecido.
- 10 – Incomodou tanto que vou remoer isso por dias.
Se o seu número bateu no 10, pare por um momento. Medite sobre o tema, pense em seu papel na situação e no papel dele. Pergunte-se: o que posso fazer para melhorar? O que ele pode fazer? E só depois disso, procure conversar, de maneira tranquila, sem acusações. Uma conversa sincera e construtiva pode fazer toda a diferença.
Se a situação ficou entre 0 e 5, guarde sua língua e aproveite o momento. Lembre-se de que 90% dos problemas que achamos que temos no casamento não são realmente problemas. São apenas as complexidades da vida acontecendo. No casamento, as coisas não são fáceis, e vocês dois são diferentes – e isso é completamente normal.
O mais importante é saber quais valores são inegociáveis para você, assim como entender o que pode ser negociado. Dê espaço para ele ser quem ele é, com seus defeitos e qualidades, e da mesma forma, permita-se ser você mesma, sem querer se moldar ou assumir papéis que não são seus. Desistir da ideia de querer ser alguém que você não é pode tornar muitas coisas mais fáceis dentro do relacionamento.
Reflexão Final:
O casamento é uma parceria, e como qualquer parceria, ele exige ajustes constantes, comunicação honesta e, principalmente, respeito pelas diferenças. Ao invés de buscar corrigir o outro o tempo todo, é preciso aprender a equilibrar o desejo de ter razão com o desejo de ser feliz ao lado da pessoa que escolheu para dividir sua vida.
Se você se encontra em uma situação onde sente que a relação está se tornando um ciclo de discussões sem fim, talvez seja hora de refletir sobre como melhorar a forma como se comunica, e principalmente, sobre o que você pode fazer para manter a leveza e a harmonia em seu casamento.
Eu te convido a pensar sobre como você tem lidado com as pequenas frustrações do dia a dia. Como está sua comunicação com seu parceiro? Está mais para críticas ou para compreensão?